Me peguei aqui pensando dentro desse quarto, junto com o
barulho da chuva que ecoa na janela de vidro, embaçada e fria. Tô pensando
justamente nessa chuva, que lá fora acabei esbarrando, antes de chegar aqui
dentro, antes de tirar minha roupa, guardar minha bolsa peruana de mais um dia
e me jogar nessa cama.
E é engraçado, é claro, como a chuva faz com que eu pense em
você. Coisas que eu adoro, sempre me fazem lembrar você. A chuva, por que
talvez nós gostássemos de uma música que tem esse nome. Outro motivo da chuva me
lembrar você, são das tardes de fuga da minha faculdade pra ir ao teu encontro
quando me pedia. Enfrentava de corpo aberto a chuva da tarde e os lagos da
Mundurucus, até subir na tua casa da árvore (teu quarto). Chegava molhado,
encharcado e mesmo assim me abraçavas.
Buscando aqui na minha memória lembro que em uma das visitas
a tua casa, e quando ainda não tínhamos nada, mas pressentíamos em ter. Eu
cheguei molhado da chuva que me pegou no caminho. Me destes uma toalha, e tomei
banho, vesti outra camisa. E notei que me olhavas com afeição.
Eu não sei, não sei mesmo, como penso em tudo isso e
ainda não me canso. Não sei como esses pensamentos felizes, lembranças boas
anulam qualquer manifestação de mágoa que eu ainda sinta de ti.
De tudo que
ocorreu justo no final de ‘nossa’ vidas e do ano passado. Justo nesse fim,
deveria ser posto um laço bem feito. Mas o que foi feito foi um nó desajustado.
Nó de 4 pontas. Como desatar esse nó que me deixa sem respirar pouco a pouco?
Um dia ele será desfeito e concluído? Ou desfeito de vez pro resto de nossas
vidas recomeçarem de novo juntas?
26/03/16
26/03/16

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