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Belém, Pará, Brazil

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sábado, 23 de abril de 2016

nota sobre a chuva 1

Me peguei aqui pensando dentro desse quarto, junto com o barulho da chuva que ecoa na janela de vidro, embaçada e fria. Tô pensando justamente nessa chuva, que lá fora acabei esbarrando, antes de chegar aqui dentro, antes de tirar minha roupa, guardar minha bolsa peruana de mais um dia e me jogar nessa cama.

E é engraçado, é claro, como a chuva faz com que eu pense em você. Coisas que eu adoro, sempre me fazem lembrar você. A chuva, por que talvez nós gostássemos de uma música que tem esse nome. Outro motivo da chuva me lembrar você, são das tardes de fuga da minha faculdade pra ir ao teu encontro quando me pedia. Enfrentava de corpo aberto a chuva da tarde e os lagos da Mundurucus, até subir na tua casa da árvore (teu quarto). Chegava molhado, encharcado e mesmo assim me abraçavas.

Buscando aqui na minha memória lembro que em uma das visitas a tua casa, e quando ainda não tínhamos nada, mas pressentíamos em ter. Eu cheguei molhado da chuva que me pegou no caminho. Me destes uma toalha, e tomei banho, vesti outra camisa. E notei que me olhavas com afeição.

Eu não sei, não sei mesmo, como penso em tudo isso e ainda não me canso. Não sei como esses pensamentos felizes, lembranças boas anulam qualquer manifestação de mágoa que eu ainda sinta de ti. 

De tudo que ocorreu justo no final de ‘nossa’ vidas e do ano passado. Justo nesse fim, deveria ser posto um laço bem feito. Mas o que foi feito foi um nó desajustado. Nó de 4 pontas. Como desatar esse nó que me deixa sem respirar pouco a pouco? Um dia ele será desfeito e concluído? Ou desfeito de vez pro resto de nossas vidas recomeçarem de novo juntas?

26/03/16

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