Vejo a janela. Lá fora está
o saguão. E uma parede branca com limo. Desgastada. Com as madrugadas. Com as
minhas olheiras cansadas. Buscando por uma boa noticia. Mas na verdade não
recebo nada. Tento ver o filme francês e ao mesmo tempo a janela fechada. De
vidro. As cores lá fora mudam. A claridade está se avançando. O filme termina.
Mas não estava esperando ele terminar. Por mim que se finaliza-se até o juízo
final. Queria saber mesmo era de uma boa nova. Que afaga-se meu peito e minha
coluna torta. Na cama fria. Imensa. Anseio. Mas choro. Lamento. Mais uma vez
sem eu conseguir o que queria. Tento. De novo. Quem sabe outra vez. Outro ano.
Outra madrugada. Em claro. Em busca de uma boa nova. Dos céus. De deus. De mim.
De ti. Do telefone celular. Que dorme embaixo de meu travesseiro. Vou ao
corredor. Atravesso a cozinha. E chego até ao banheiro. Mijo. Sujo o chão. Não
limpo. Não quero limpar essas lágrimas tão dignas. Do meu pênis e dos meus
olhos. Volto pra cama. Tento dormir. Pois talvez quando eu acorde receba uma
boa noticia. Talvez. Quem sabe. Às vezes. Tudo que esperamos é uma boa noticia.
Dia após dia.
Às
06:17 de 16/06/14

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