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Belém, Pará, Brazil

Mais Palavras?

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Lua Nova

A lua calibra minhas veias. Meu pés na lajota fria dos corredores de casa me fazem sentir que sim estou de pé no chão. Depois de algum tempo nas nuvens, depois de algum tempo no ar, e depois da queda, e de ficar imobilizado no chão. Estou de pé, estou andando, estou flertando com as ruas, minha evolução é contínua, não para, não retrocede, e não deve retroceder. A minha gata de estimação que peguei nas ruas quando pequena, evoluiu comigo, ou seria eu que evolui junto com ela? Vou no trajeto noturno ao quintal da minha casa pra ver a escuridão da noite e reconhecer a casa que nunca dorme, a luz da frente permanece sempre acesa. Lá longe. Uma sombra ao lado, no alto de mim se destaca. Vejo aquele ser brilhando soturnamente em cima de um telhado da casa ao lado do meu quintal. É a minha gata. Ela, sozinha, contemplativa, serena, acompanhada da melhor companhia; ela mesma.

sábado, 23 de abril de 2016

nota sobre chuva 2

Ontem eu conversei contigo, o silêncio foi desfeito e os laços talvez concluídos. Laços. Traços. Traças. Que persistem se fixar nas paredes do quarto. Hoje choveu, vim na chuva correndo devolver os filmes que loquei. Tô encharcado e sentado em um café aqui dentro da locadora que tanto amo, as pessoas conversam, estão em par. E eu não estou sozinho. Meu notebook me faz companhia. Tempos digitais. Ainda estou em download depois da nossa conversa virtual de ontem. E hoje me mandas um link de uma nova música que fizestes. Porque ainda me manda tuas músicas? Talvez tu saibas que eu seja a única pessoa que te sinta e te perceba em todas as tuas extensões. Hoje eu sei que vou te ver na festa em que vou estar tocando mais tarde. E infelizmente já estou te sentido desde agora.

20/04/2016

nota sobre a chuva 1

Me peguei aqui pensando dentro desse quarto, junto com o barulho da chuva que ecoa na janela de vidro, embaçada e fria. Tô pensando justamente nessa chuva, que lá fora acabei esbarrando, antes de chegar aqui dentro, antes de tirar minha roupa, guardar minha bolsa peruana de mais um dia e me jogar nessa cama.

E é engraçado, é claro, como a chuva faz com que eu pense em você. Coisas que eu adoro, sempre me fazem lembrar você. A chuva, por que talvez nós gostássemos de uma música que tem esse nome. Outro motivo da chuva me lembrar você, são das tardes de fuga da minha faculdade pra ir ao teu encontro quando me pedia. Enfrentava de corpo aberto a chuva da tarde e os lagos da Mundurucus, até subir na tua casa da árvore (teu quarto). Chegava molhado, encharcado e mesmo assim me abraçavas.

Buscando aqui na minha memória lembro que em uma das visitas a tua casa, e quando ainda não tínhamos nada, mas pressentíamos em ter. Eu cheguei molhado da chuva que me pegou no caminho. Me destes uma toalha, e tomei banho, vesti outra camisa. E notei que me olhavas com afeição.

Eu não sei, não sei mesmo, como penso em tudo isso e ainda não me canso. Não sei como esses pensamentos felizes, lembranças boas anulam qualquer manifestação de mágoa que eu ainda sinta de ti. 

De tudo que ocorreu justo no final de ‘nossa’ vidas e do ano passado. Justo nesse fim, deveria ser posto um laço bem feito. Mas o que foi feito foi um nó desajustado. Nó de 4 pontas. Como desatar esse nó que me deixa sem respirar pouco a pouco? Um dia ele será desfeito e concluído? Ou desfeito de vez pro resto de nossas vidas recomeçarem de novo juntas?

26/03/16

terça-feira, 24 de junho de 2014

Insônia


Vejo a janela. Lá fora está o saguão. E uma parede branca com limo. Desgastada. Com as madrugadas. Com as minhas olheiras cansadas. Buscando por uma boa noticia. Mas na verdade não recebo nada. Tento ver o filme francês e ao mesmo tempo a janela fechada. De vidro. As cores lá fora mudam. A claridade está se avançando. O filme termina. Mas não estava esperando ele terminar. Por mim que se finaliza-se até o juízo final. Queria saber mesmo era de uma boa nova. Que afaga-se meu peito e minha coluna torta. Na cama fria. Imensa. Anseio. Mas choro. Lamento. Mais uma vez sem eu conseguir o que queria. Tento. De novo. Quem sabe outra vez. Outro ano. Outra madrugada. Em claro. Em busca de uma boa nova. Dos céus. De deus. De mim. De ti. Do telefone celular. Que dorme embaixo de meu travesseiro. Vou ao corredor. Atravesso a cozinha. E chego até ao banheiro. Mijo. Sujo o chão. Não limpo. Não quero limpar essas lágrimas tão dignas. Do meu pênis e dos meus olhos. Volto pra cama. Tento dormir. Pois talvez quando eu acorde receba uma boa noticia. Talvez. Quem sabe. Às vezes. Tudo que esperamos é uma boa noticia. Dia após dia.

Às 06:17 de 16/06/14

sábado, 14 de junho de 2014

Estrangeiro


Já visitei dois países. Uruguai quando eu era apenas um ser que sorria e chorava em busca de leite da minha progenitora, e o Equador. Lembro pouca coisa, mas lembro de que nesse tempo meu cabelo era liso e grande. Hoje minha mãe sempre mandar eu cortar quando já se faz a primeira curva de mechas e tampa as orelhas. 

Cheguei a duas linhas que cortam o planeta no mapa. Conheci duas extremidades da América do sul. Fiquei no meio do mundo (Literalmente). E abaixo do trópico de capricórnio. Mas nunca conheci a mim mesmo, os extremos e linhas que habitam em mim. Sou estrangeiro de mim mesmo, não me conheço, mas habito em mim, e viajo com este corpo desde que nasci. Já descobri alguns macetes, mas às vezes inesperadamente os esqueço, sei que esqueço, quando simplesmente me encanto com uma pessoa. Perco o rumo, perco a direção de onde vim e pra onde irei.

Então passo a descobrir e desbravar essa pessoa, esse país. Quero viajar até a mente e o coração deste humano. Estudar o clima, os pontos turísticos de si e perder-me em sua boca. Até que a pessoa me deixa, o estrangeiro é expulso do país que tanto sonhava em fazer parte.  Sai para nunca mais voltar. Foi extraditado.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A História de Teobaldo Esquizofrênico

Tento fugir dos teus olhos. Não dá. Estou preso neles assim como estou preso nessa cidade quente e úmida. Os fios dos postes se combinam e se entrelaçam me dando a sensação de que estou num grande curral de abominações e solidão. Percebi que eles tem um pouco de cor, os teus olhos negros. Quando eles brilham, tem um pouco de castanho, como se tu tivesses pureza. Acredito em ti nessas tuas falas enobrecidas de orgulho. Mas, perco o foco dos teus olhos, pois percebo que estamos cercados por fios, desses postes. Esses fios pretos, feios, emaranhados, desconexos, chamativos me chamam sempre. Como se tivessem vida própria, e quisessem me falar em uma voz grave como a de Deus: “Tu não vais sair dessa cidade!”. – Vou sim, poste filha da puta – digo entre a sorveteria e a calçada. Tu me olhas estranho, acalme-se. Sou normal.

E continuamos assim caminhando pelas ruas dessa cidade como se não tivessem fronteiras. Eu estava conversando contigo, mas estava mesmo de olhos era nos postes. Teus olhos quase-castanhos são objetos secundários nessa tragédia. Ando olhando pra cima, esses fios formando um ninho de confusão e loucura. A minha mente está emaranhada, tal quando eu era criança. Esses postes me chamam a atenção desde criança mesmo, tive que ir me confessar no padre – “Padre, odeio postes, isso é pecado?” – falei. “Não...” – respondeu-me com a voz rouca.

Sabe... Já são 18:00, e as luzes laranjas desses postes acenderam. Estava atravessando a rua contigo, mas tive que correr e subir na porra daquele poste que queria impedir que viajássemos para a nossa lua de mel. Agarrei-me aos fios e quis arranca-los do painel de controle ou sabe deus o nome daquilo, coisa de má qualidade com certeza. Má qualidade, que me fez levar um choque de mais de 10.000 Volts. Fui ao céu e virei anjo, fui expulso, caí. Fui salvo, só me recordo que tempos depois tu ainda estás aqui comigo. Nessa lua de mel. Tá vendo? Eu sabia que iriamos sair daquela cidade.

“Sim, sim senhor Teobaldo. Agora fique calminho enquanto pego a su... nossa sopa”. – Disse a enfermeira enquanto saia do corredor com a sua ajudante, que na verdade era também amante quando o expediente terminava.  “Esse daí não tem mais jeito” – disse a ajudante, mais baixa e nova. “Não tem mesmo. 22 anos e já está entre os senhores”. 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Sarau da Desordem


Palavras bem desenvolvidas e envolvidas entre tua rápida boca que está a se movimentar. Percebo pouco as frases que dizes, mas percebo teu nervosismo ao lê-las, acalme-se. Não tendes a ficar ligeiro. Brejeiro é este momento, onde tu, eu e mais gente está apaixonado. Caro humano aqui todo mundo sofre, e pondo essas escritas pra fora é que nós gozamos, é o nosso sexo. Aproveite o tempo, leia sem pressa essa história de amor que não deu certo. Neste sarau da desordem é que me acabo, com fé e sem fé de que um dia serei morto, e em minha lápide estará escrito: "Morreu Poeta".

domingo, 14 de julho de 2013

Madrugada

DEADWRONG | via Tumblr
A fartura, a hora, e anseio

Tudo está rodeado entre os caminhos dos teus peitos
Caminhos bilaterais, entre teu pescoço e teus medos

Então lhe peço
Não afaste este calibre, que carrega teu cinismo
Preciso sobreviver destes teus in-sorrisos

E agora querida
Eu quero tudo
E também quero nada
Nada, a não ser teu corpo,
Nada, a não ser tua alma.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Tempo


É desesperador esperar algo que venha a ocorrer e que venha despertar a sua doce e precisa alegria, ou talvez despertar aquela felicidade que escorre do peito.
Algo como se fosse respeitoso, algo como se fosse sangria...
Algo roxo, algo púrpuro, algo alegre. Algo inocente, algo fulguro, algo capcioso. Algo.
Tudo que escorre do peito é de direito, tudo que escorre dos olhos é o que não cabe no peito. Como dizia o filósofo solitário do ano de dois mil e dois. Onde a vida era mais inocente, mais vivida, mais alegre, mais ignorante, e mas certeira. Estou certo?
Acordei. Já é de noite, relembro a vida, relembro o tempo, relembro a dor que escorre do peito, devaneio.
Estou devaneando, sobre a catuaba barata, na calçada dessa rua.